Fundos de capital de risco afirmam que não planejam investir em startups que meramente reproduzem o ChatGPT.
Depois dos últimos dois anos de crise, os investidores de capital de risco estão considerando quais setores direcionar seus investimentos. Há uma especulação sobre se as startups de IA generativa serão alvo de investimentos generosos nos próximos meses.
Essas questões foram amplamente discutidas nos dois primeiros dias do Collision, um evento de inovação realizado no Enercare Centre, em Toronto, no Canadá, que continuou até hoje.
No entanto, o debate mais interessante ocorreu na tarde desta quarta-feira (28), em um painel intitulado “Onde devo investir meu dinheiro em 2024?“.
Debate
Contrariamente às expectativas em um momento de entusiasmo em torno do ChatGPT, as empresas de IA não são vistas como uma aposta garantida.
“Os investidores enxergam as startups de IA por duas perspectivas distintas.
Por um lado, há o entusiasmo em investir em empresas que atuam em um setor com potencial de crescimento exponencial em um curto período de tempo.
Por outro lado, há uma preocupação significativa em relação aos esforços regulatórios que estão ganhando força em vários países atualmente.
Ainda não se sabe como essas regulamentações irão impactar os negócios nesse setor.” – Mary D’Onofrio, co fundadora e sócia da Bessemer Venture Partners
Outro obstáculo para investir em empresas de inteligência artificial generativa é o surgimento de numerosas empresas de IA “fachada”.
Após a estratégia bem-sucedida da OpenAI de disponibilizar ao público em geral modelos de linguagem desenvolvidos ao longo de vários anos, muitas pessoas acreditaram que simplesmente criar ferramentas semelhantes seria suficiente para atrair a atenção dos investidores.
“Não estamos interessados em investir em commodities ou meros multiplicadores, mas sim em algo de maior valor: empresas que utilizam a inteligência artificial para gerar transformações exponenciais nos negócios, criando um impulso sem precedentes.
O que importa é descobrir as maneiras pelas quais a tecnologia pode ser mais disruptiva. Esse será o critério para selecionar as empresas vencedoras.” – Mary D’Onofrio
Possibilidades infinitas
Elad Gil, fundador da Investor Perplexity, afirmou que a inteligência artificial passará por uma primeira fase em que será utilizada principalmente para apoiar decisões humanas, especialmente em áreas como educação e saúde.
“A tecnologia já está tendo impacto na área da saúde, mas ainda existe resistência em relação à sua aplicação em cirurgias, por exemplo.”
Sarah Guo, fundadora da Conviction, uma empresa que investe em startups de software de IA nativo, acredita que haverá uma evolução gradual dos investimentos nesse setor.
“As aplicações começam com áreas de menor risco.”
Segundo ela, algumas proposições mais críticas levarão tempo para se tornarem realidade, mas mesmo assim chegarão ao mundo real.
“Neste momento, vejo um forte interesse em investimentos na aplicação de inteligência artificial nos setores de saúde, indústria, agronegócio e jurídico.” – Felipe Matos, vice-presidente da Associação Brasileira de Startups
“De fato, é extremamente difícil prever quais aplicações de IA receberão a maioria dos investimentos, uma vez que as possibilidades são infinitas e estamos apenas no início dessa nova era.
A natureza em constante evolução da inteligência artificial traz consigo um vasto campo de oportunidades, e somente o tempo revelará quais áreas específicas serão impulsionadas por investimentos significativos.”